Atualidade e pertinência do Novo Acordo
O Novo Acordo Ortográfico de 1990, apesar de já terem passado 17 anos sobre a sua aprovação , mantém-se válido e atual .
As razões que , desde sempre , nortearam a procura de uma ortografia tanto quanto possível unificada da língua portuguesa são sobejamente conhecidas.
A primeira razão é de natureza histórica . De facto, torna-se imperioso pôr cobro a uma deriva ortográfica de quase um século .
A segunda razão é de âmbito lusófono e internacional . Sendo a língua portuguesa um instrumento de comunicação de oito países , de quatro continentes , com mais de duzentos milhões de falantes , e língua oficial ou de trabalho de mais de uma dúzia deorganizações internacionais , torna-se urgente que disponha de uma só ortografia unificada.
A terceira razão é de natureza pedagógica e também internacional . Nas várias escolas e instituições em que por esse Mundo fora se ensina e cultiva o português , convém que haja só uma ortografia , e não duas, pois tal facilita a aprendizagem.
Caraterísticas gerais do Novo Acordo
O Novo Acordo privilegia, de certo modo , o critério fonético , em desfavor do critério etimológico . E o que sucede com a supressão, do lado lusoafricano, das chamadas consoantes mudas em palavras como ato (e não acto), direção (e não direcção), ótimo (e não óptimo), etc. Esta supressão, há muito consagrada do lado brasileiro , facilita a aprendizagem e o ensino da ortografia nas escolas . É natural que tal supressão provoque algum desconforto nos adultos , habituados a associar ao significado da palavra a imagem acústica da sua pronúncia e a imagem gráfica da sua forma escrita , imagens automaticamente memorizadas e, por conseguinte , difíceis de modificar , o que exige um ato consciente . Mas alguma prática da nova ortografia e o recurso , hoje de utilização tão comum , a um corretor ortográfico atualizado resolverão rapidamente as dificuldades . No Novo Acordo introduziu-se o alfabeto português e neste incluíram-se as letras k, w e y, que há muito figuram nos dicionários da língua portuguesa e se usam em palavras estrangeiras, e suas derivadas, e ainda em vários símbolos .
Reduziram-se e sistematizaram-se melhor as regras de emprego do hífen , sobretudo nas formações por prefixação , recomposição ejustaposição , adaptando-as a práticas já correntes na grafia de certas terminologias .
Suprimiram-se alguns acentos gráficos e definiram-se, tão objetivamente quanto possível , a situações de dupla grafia , incluindo adupla acentuação.
É certo que o Novo Acordo não consegue atingir a unificação ortográfica absoluta , uma vez que há diferenças intransponíveis dosdois lados do Atlântico , as quais foram acentuadas pelo tempo . As tentativas anteriores de unificação absoluta falharam. O Novo Acordo visa , pois , a unificação possível , mas que , mesmo assim , abrangerá cerca de 98% do léxico e impedirá, com certeza , que asdiferenças se aprofundem e ampliem. Manter-se-á assim a unidade essencial da ortografia da língua portuguesa. Repare-se que oNovo Acordo Ortográfico apenas afeta a grafia da escrita e não interfere de modo nenhum nem nas diferenças orais , nem nas variações gramaticais ou lexicais .
Está ainda previsto no Acordo a elaboração de um amplo Vocabulário Ortográfico Unificado, com a colaboração dos oito países lusófonos, o qual resolverá eventuais dificuldades que possam surgir na aplicação do mesmo Acordo . Enfim , o leitor encontrará aseguir uma súmula , tão clara e sucinta quanto possível , das modificações e alterações trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico de 1990.
João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia, "Nota Introdutória ao Novo Acordo Ortográfico", Lisboa, Texto Editores , 2007
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