domingo, 17 de novembro de 2013

PARA SEGUNDO E TERCEIRO ANO - VESPASIANO MARTINS:

Atualidade e pertinência do Novo Acordo


Novo Acordo Ortográfico de 1990, apesar de  terem passado 17 anos sobre a sua aprovação, mantém-se válido e atual.
As razões quedesde sempre, nortearam a procura de uma ortografia tanto quanto possível unificada da língua portuguesa sãosobejamente conhecidas.
primeira razão é de natureza histórica. De facto, torna-se imperioso pôr cobro a uma deriva ortográfica de quase um século.
segunda razão é de âmbito lusófono e internacional. Sendo a língua portuguesa um instrumento de comunicação de oito países, de quatro continentescom mais de duzentos milhões de falantes, e língua oficial ou de trabalho de mais de uma dúzia deorganizações internacionais, torna-se urgente que disponha de uma  ortografia unificada.
terceira razão é de natureza pedagógica e também internacional. Nas várias escolas e instituições em que por esse Mundo forase ensina e cultiva o português, convém que haja  uma ortografia, e não duas, pois tal facilita a aprendizagem.

Caraterísticas gerais do Novo Acordo 
Novo Acordo privilegia, de certo modo, o critério fonéticoem desfavor do critério etimológico. E o que sucede com a supressão, do lado lusoafricano, das chamadas consoantes mudas em palavras como ato (e não acto), direção (e não direcção), ótimo (e nãoóptimo), etc. Esta supressão, há muito consagrada do lado brasileiro, facilita a aprendizagem e o ensino da ortografia nas escolas. É natural que tal supressão provoque algum desconforto nos adultos, habituados a associar ao significado da palavra a imagemacústica da sua pronúncia e a imagem gráfica da sua forma escritaimagens automaticamente memorizadas e, por conseguinte, difíceis de modificar, o que exige um ato conscienteMas alguma prática da nova ortografia e o recursohoje de utilização tãocomum, a um corretor ortográfico atualizado resolverão rapidamente as dificuldades. No Novo Acordo introduziu-se o alfabetoportuguês e neste incluíram-se as letras kw e yque há muito figuram nos dicionários da língua portuguesa e se usam em palavrasestrangeiras, e suas derivadas, e ainda em vários símbolos.
Reduziram-se e sistematizaram-se melhor as regras de emprego do hífensobretudo nas formações por prefixaçãorecomposição ejustaposição, adaptando-as a práticas  correntes na grafia de certas terminologias.
Suprimiram-se alguns acentos gráficos e definiram-se, tão objetivamente quanto possível, a situações de dupla grafia, incluindo adupla acentuação.
É certo que o Novo Acordo não consegue atingir a unificação ortográfica absoluta, uma vez que há diferenças intransponíveis dosdois lados do Atlântico, as quais foram acentuadas pelo tempo. As tentativas anteriores de unificação absoluta falharam. O NovoAcordo visapois, a unificação possívelmas quemesmo assim, abrangerá cerca de 98% do léxico e impedirá, com certezaque asdiferenças se aprofundem e ampliem. Manter-se-á assim a unidade essencial da ortografia da língua portuguesa. Repare-se que oNovo Acordo Ortográfico apenas afeta a grafia da escrita e não interfere de modo nenhum nem nas diferenças oraisnem nas variações gramaticais ou lexicais.
Está ainda previsto no Acordo a elaboração de um amplo Vocabulário Ortográfico Unificadocom a colaboração dos oito paíseslusófonos, o qual resolverá eventuais dificuldades que possam surgir na aplicação do mesmo AcordoEnfim, o leitor encontrará aseguir uma súmulatão clara e sucinta quanto possível, das modificações e alterações trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico de 1990.
João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia, "Nota Introdutória ao Novo Acordo Ortográfico", Lisboa, Texto Editores, 2007

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